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Macro & GeopolíticaEA-RS-041

Visão Geopolítica Pós-Eleitoral

Encerrado o ciclo eleitoral, o prêmio de risco migra da incerteza política para a execução fiscal. Mapeamos os vetores de câmbio, juros e fluxo estrangeiro para os próximos quatro trimestres.

Autor · Comitê de Investimentos26 de out. de 2026Leitura · 9 min

Eleições não alteram os fundamentos de um país em uma noite. O que elas alteram é a distribuição de probabilidades sobre a trajetória desses fundamentos. Para uma gestora orientada à preservação, o período pós-eleitoral é menos sobre comemorar ou lamentar resultados e mais sobre recalibrar o prêmio de risco exigido em cada classe de ativo.

1. Do ruído político ao risco fiscal

Durante a campanha, o mercado precifica cenários extremos. Encerrada a apuração, essa dispersão colapsa e o foco se desloca para variáveis mensuráveis: composição do gabinete econômico, credibilidade do arcabouço fiscal e calendário das primeiras votações relevantes no Congresso.

Nossa leitura é de que o primeiro semestre do novo ciclo concentra a maior parte da volatilidade informacional. É nesse intervalo que o mercado separa promessas de compromissos orçamentários efetivos.

O prêmio de risco não desaparece após a eleição — ele apenas muda de endereço.

2. Câmbio e o ciclo global do dólar

O real continua sendo, antes de tudo, uma moeda de carry inserida no ciclo global do dólar. Um DXY estruturalmente firme limita o espaço de apreciação doméstica, independentemente do resultado interno. Monitoramos o diferencial de juros reais e o posicionamento de não residentes como os dois indicadores de maior poder explicativo para o USD/BRL no horizonte de seis meses.

Em paralelo, o realinhamento das cadeias de suprimento entre blocos geopolíticos favorece exportadores de commodities com estabilidade institucional — um argumento que pode beneficiar o Brasil, desde que a âncora fiscal se mostre crível.

3. Posicionamento recomendado

Mantemos exposição dolarizada como reserva estrutural, duration moderada em títulos indexados à inflação e baixa alavancagem em renda variável doméstica até que o desenho fiscal seja votado. A disciplina, nesse contexto, é a principal fonte de alfa.

Este documento reflete a visão do Comitê na data de publicação e será revisado à medida que novas informações sejam incorporadas ao cenário base.

Material de caráter informativo. Não constitui recomendação de investimento. As opiniões refletem a visão dos autores na data de publicação e podem ser alteradas sem aviso prévio.